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quinta-feira, 26 de março de 2015

Rui Aires entrevista Valentim Quaresma.


Em pequeno inventava brinquedos, construía coisas, usava a criatividade. Ainda hoje gosta de juntar coisas diferentes. É um viciado na Feira da Ladra, vai lá todas as semanas, é a sua maior fonte de investigação. Depois de acabar a António Arroio, como queria entrar no Ar.Co e não podia pagar as propinas, foi trabalhar para uma loja, a Linha Aérea, que tinha uma pequena oficina, onde fazia colares e pulseiras. Ficou lá dois anos.

Rui Aires: Como começaste o teu percurso?

Valentim Quaresma: Estudei no Ar.Co e na António Arroio e comecei cedo a trabalhar, aos 16, numa loja de acessórios de moda. Depois, aos 19 anos passei a trabalhar com a Ana Salazar, trabalhámos durante 20 anos. Em 2008 comecei a minha marca própria.

Rui Aires: O que significa para ti arte?

Valentim Quaresma: O significado da arte pode ir dar a muitos sítios, mas o mais próximo é a paixão!

Rui Aires: Como defines o teu estilo em três palavras?
Há sempre alguma coisa de medieval, mecânico e imprevisível.

Rui Aires: Como é o teu processo criativo?

Valentim Quaresma: Está ligado ao conceito e à maneira de trabalhar os materiais que escolho para o desenvolver. Nunca desenho, não faz parte do processo, parto logo para as experiências com os materiais e realização das peças, e as coisas vão surgindo, selecionando depois o que acho mais interessante.

Rui Aires: Onde te inspiras?

Valentim Quaresma:Tudo pode servir de inspiração. Uma imagem, uma conversa, uma música ou um pensamento.

Rui Aires: Tens alguma peça favorita entre as que já criaste?

Valentim Quaresma: Sim, mas é difícil nomear Talvez a Queen, o anel do escudo português, a Goddess, que esteve exposta na Stivali, o sapato Speed, o colar das molas de pressão, e muitas outras.

Rui Aires: Como é o teu dia-a-dia?

Valentim Quaresma: Cansativo. Tenho sempre muitas coisas para fazer e gosto de começar a trabalhar o mais cedo possível para aproveitar a luz do dia, pois quando chego ao atelier nunca sei a que horas vou sair de lá. Não gosto de trabalhar de noite.

Rui Aires: Tens mais algum talento escondido?

Valentim Quaresma: Não, se tivesse não estava escondido!

Rui Aires: Qual a parte mais gratificante no teu trabalho? E a mais difícil?

Valentim Quaresma: Gratificante quando o trabalho é reconhecido e vendido; a parte mais difícil é a gestão!

Rui Aires: Quais são os teus materiais preferidos na criação das peças?

Valentim Quaresma: Os objetos encontrados continuam a ser os meus preferidos. Na matéria prima, o ouro, a prata e o latão continuam a liderar.

Rui Aires: Se não fosses designer de joias o que serias?

Valentim Quaresma: Não faço ideia. Talvez alguma coisa ligada à gastronomia, gosto de cozinhar…

Rui Aires: Qual é o público-alvo das tuas peças? E como é ver alguém na rua com uma das tuas joias?

Valentim Quaresma: Qualquer pessoa pode usar as minhas peças. Tenho clientes dos 18 aos 80 anos, muito diferentes uns dos outros. E ver alguém usar as minhas peças é sempre muito motivador.

Rui Aires: Que conselho dás a alguém interessado em entrar no “mundo” de design de joias?

Valentim Quaresma: Que se dedique com toda a motivação possível e que não se isole. Crie sinergias!

http://www.valentimquaresma.com/

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